ONU QUER QUE FUTURO PRIMEIRO-MINISTRO SEJA INDIGITADO PELO PAIGC

O Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas no país manifestou esta sexta-feira, 11 de setembro, o desejo de que o futuro Primeiro-Ministro, a nomear depois do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que desqualifica o decreto que nomeou Baciro Djá como Primeiro-Ministro, seja no quadro do partido vencedor das últimas eleições.


Sem querer entrar em especulações, Miguel Trovoada prefere guardar pela decisão do Presidente da República, que deve ser conhecida depois das consultas com os partidos políticos com assento parlamentar.

O antigo Chefe de Estado Santomense lembra que a Constituição República diz que, “nomeia-se o Primeiro-ministro tendo em conta os resultados eleitorais” e disse esperar que seja esta a orientação mestra do Presidente da República na designação de novo Primeiro-ministro respeitando sempre o quadro definido pela Constituição do país.

Miguel Trovoada considera ainda o momento político actual como “um incidente de percurso no exercício da democracia”. Contudo, espera que esses incidentes de percurso não levem às situações desastrosas para o país.

“Situo isso como uma fase de crescimento, maturação e do aprofundamento do processo democrático na Guiné-Bissau, que deve ser ultrapassada à luz da Constituição e das leis do país. Mas sobretudo da capacidade da classe dirigente em encontrar, através do diálogo, consensos e plataformas de entendimento que permitam com que os órgãos possam exercer as suas funções em benefício do povo que delegou neles a parte da sua esperança para a construção de um futuro melhor”, realça.

Enquanto Representante do Bank Moon no país, Miguel trovoada quer ainda que a situação não perdure, porque segundo notou, poderá ter danos muito importantes para o povo. Insistiu na necessidade de se encontrar muito rapidamente uma solução para restabelecer a ordem para que o país possa prosseguir o seu processo de desenvolvimento.

Miguel Trovoada referiu igualmente que os contatos mantidos com diferentes entidades envolvidas no processo têm permitido uma ampla abertura e a disponibilidade por parte dessas entidades em fazer o melhor para que o país reencontre a via da estabilidade para o progresso.

“Vamos continuar esse diálogo com uns e outros, porque acreditamos que é o mecanismo mais seguro e idóneo para se fazer restabelecer o entendimento numa sociedade”, garante Miguel Trovoada.

O responsável máximo da ONU em Bissau assegurou na mesma ocasião que, se a situação se mantiver tal como está, as Nações Unidas vão manter a postura que sempre tiveram procurando sensibilizar todas as partes envolvidas no processo para se encontrar uma via de saída e apoiar toda e qualquer iniciativa que dela vem no sentido de obter os resultados necessários à crise.

Miguel Trovoada credita que ninguém está interessado que a situação de crise perdure ainda mais.

“Estou convencido que as próprias autoridades do país têm a pressa em ver uma solução encontrada a esse problema”, observou.

Trovoada falou ainda do relatório sobre a Guiné-Bissau apresentado recentemente em Nova Iorque, que segundo disse, o teor aborda toda actividade do Gabinete Integrado da ONU para a Consolidação da Paz no país (UNIOGBIS).

Segundo Miguel Trovoada, o relatório traz a situação política do país, sobretudo de como é que se apresenta a situação neste momento na Guiné-Bissau, dos ganhos que o país está a ter em termos da governação, das reformas em curso no país e o papel que a missão desempenha no apoio ao processo das reformas, do Ébola incluindo a sensibilização, seminários e de tudo o que está a ser feito sobre a questão do Ébola no terreno

O UNIOGBIS tem uma missão com caracter político-institucional e outra vertente de desenvolvimento que envolve as agências como PNUD, FAO, UNICEF, OMS e outras que operam no país.

Por: Filomeno Sambú


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