COLABORAÇAO PARA O EMBELEZAMENTO DA CIDADE DE BISSAU

PALÁCIO PRESIDENCIAL BISSAU RESTAURADO, AMPLIADO E MITO PÓS INDEPENDÊNCIA

Duas arquitetas paisagistas da Câmara Municipal de Lisboa irão se deslocar à Guiné-Bissau, a partir do dia 4 de fevereiro, com vista ao levantamento e realização de trabalhos de identificação para elaboração de um projeto de execução de beneficiação de espaços ajardinados e áreas adjacentes ao Palácio Presidencial, informou Anabela Carvalho, Assessora de Imprensa da UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa 


Trata-se de um pedido formulado pelas Autoridades Guineenses, incluindo a Câmara Municipal de Bissau, no qual constam intervenções em perspetiva nos espaços ajardinados do Palácio Presidencial e áreas adjacentes, incluindo a Praça dos Heróis Nacionais.

Nesta primeira fase irá se conhecer as áreas de intervenção, recolher elementos e reunir com a equipa local designada. Uma etapa intercalar consistirá na elaboração de um estudo prévio para discussão entre as partes e posterior aprovação de um projeto final.

Este apoio resulta de uma articulação entre as "mais altas entidades locais", o Município de Lisboa e a UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa - na qualidade de associação promotora do intercâmbio entre Cidades Membro e com uma larga experiência de interação com a cidade de Bissau.


Palácio Presidencial foi restaurado e ampliado depois de esventrado por uma bomba. Construído na década dos anos 1940, é um edifício sólido e viu a resistência teimosa do “Esforço da Raça”, no pós independência.

Era a guerra civil de 1998 surgido do desentendimento entre os militares, chefiados por Ansumane Mané , e o ex-Presidente Nino Vieira. A guerra ganhou amplitude nacional quando o falecido Nino Veira provocou a cólera dos ex-combatentes de liberdade da Pátria, que se juntaram à rebelião, ao pedir auxílio aos militares senegaleses.

A 7 de Maio de 1999 o Palácio foi alvo de um bombardeamento por parte dos militares revoltosos, os mesmos que evitaram durante a luta armada – por decisão de Amilcar Cabral – atacar os centros urbanos para depois não terem em mãos um país totalmente destruído.

Durante 14 anos, os guineenses viveram angustiados com os escombros do Palácio, orgulho da capital guineense. O edifício foi entregue, no mês passado, às autoridades guineenses depois dos chineses terem feito um minucioso trabalho de restauração sem terem nas mãos a planta do edifício.

O trabalho de restauração e ampliação, com 15 meses de duração, custou 6,5 milhões de euros e o Palácio ganhou mais um edifício nas traseiras com 31 gabinetes para os seus profissionais.

No acto da entrega do edifício, o actual Presidente interino da Guiné-Bissau, Manuel Serifo Nhamadjo, referiu para que “todos se sintam com a responsabilidade de nunca mais provocarem tanto desgosto ao povo guineense”, alertando que o dinheiro “enterrado” na reabilitação poderia ter sido usado no sector produtivo.

"Exorto a todos para que todas as nossas divergências sejam dirimidas à volta de uma mesa e para que nunca mais demos exemplos horríveis ao mundo”, solicitou aos mais belicosos.

Concluído por Sarmento Rodrigues em 1947?

Redekriol foi à procura da história do Palácio do Governador, na época colonial, mas Palácio Presidencial depois da independència, embora os serviços administrativos da Presidência tivessem sido instalados em outro local.

Dados históricos apontam que a ideia do projecto surgiu em 1941, data em que a cidade de Bissau foi elevada a categoria de capital da Guiné Portuguesa (29 de Abril).

Mas em 1947, o oficial da Marinha Portuguesa e Governador da Guiné Portuguesa, Manuel Sarmento Rodrigues (1945/1948), refere à questão da obra do Palácio de Bissau, peça emblemática da presença portuguesa no plano da representatividade, afirmando:

“Continuará ainda com maior intensidade, de modo que a sua conclusão já não leve anos , mas apenas meses”. Retiramos isto do trabalho “Arquitectura em Bissau e o Gabinete de Urbanização colonial (1944-1974) de autoria de Ana Vaz Milheiro e Eduardo Costa Dias.

O Palácio do Governador, localizado no topo superior da antiga Avenida da República, hoje Amilcar Cabral, posiciona-se como centro simbólico do poder, tanto na passado com na actualidade. Depois da independência, apesar da tentativa de derrubar o monumento ao “Esforço da Raça”, os grandes comícios ou anúncios importantes da Presidência foram feitos neste local, entre os quais o grande comício após o golpe de Estado de 14 Novembro e outros eventos.

Mito – Esforço da Raça ligado ao Palácio

Um mito que a juventude guineense lançou no pós- independência:

À frente do Palácio encontra-se um jardim em formato circular com o símbolo das quinas, denominado Praça do Império, hoje Praça dos Heróis Nacionais. Esta Praça recebia centenas de jovens, crianças e famílias para os passeios dominicais e encontros de namorados.

Tem no seu centro um monumento dedicado ao “Esforço da Raça” simbolo de um Ultramar português “multiracial e indivisível”.

O mito consiste nisto: Depois da independência as autoridades guineenses tentaram derrubar o monumento com recurso a catrapilares. Mas não foi conseguido.

Os jovens, perante tal esforco, concluíram que o monumento ao “Esforço da Raça” só cederia se o palácio viesse também abaixo porque as duas estruturas estavam ligadas e não se podia derrubar uma sem a outra. Ainda é visível no monumento o efeito dessa tentativa com pedreiros a tenterem remover os trabalhos feitos na base que simbolizam as insígnias da colonização portuguesa.

Aliás foi o único monumento que a independência não conseguiu “derrubar” – todas as outras estátuas vieram abaixo. A saída airosa que a "revolução" da independência conseguiu foi colocar no cimo do monumento a Estrela Negra, simbolo do poder negro do PAIGC.

Mesmo isso não conseguiu toldar a impotência do conjunto formado pelo monumento e o Palácio. Aliás a filosofia que dos arquitectos das infra-estruturas que Sarmento Rodrigues queria implementar na Guiné era baseada na solidez e durabilidade dessas infra-estruturais, tais como aconteceu com a Catedral de Bissau, os Correios, e o palácio da Justiça entre outras.

Fontes:

UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa
Rede Kriol


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