PAIGC AFASTA CENÁRIO DE CRISE POLÍTICA NA GUINÉ-BISSAU E APROVA MOÇÃO DE LOUVOR AO GOVERNO

POLÍTICA / REUNIÃO COMITÉ CENTRAL PAIGC


O PAIGC AFASTOU HOJE O CENÁRIO DE CRISE POLÍTICA NA GUINÉ-BISSAU COM UMA MOÇÃO DE LOUVOR AO GOVERNO, AO MESMO TEMPO QUE APELOU AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA PARA CONSTRUIR "UMA CONVIVÊNCIA SÃ E PACÍFICA" COM OS RESTANTES ÓRGÃOS DE SOBERANIA.


"O Comité Central reafirma a sua total confiança no Governo e na concretização dos objetivos fixados para os quatro anos de mandato", refere a moção aprovada na reunião do órgão máximo do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que decorreu desde sábado até à última madrugada, em Bissau.

No documento, o Comité realçou "a capacidade que tem sido demonstrada" pelo primeiro-ministro e líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, para lidar com os "grandes problemas do país", pedindo-lhe para "prosseguir na linha do desempenho até aqui evidenciado".

Aprovar a moção de louvor foi uma das nove deliberações do órgão, que decidiu ainda "saudar" o Presidente da República, José Mário Vaz, e "exortá-lo a prosseguir com os esforços para a construção de uma convivência sã e pacífica com os demais órgãos de soberania", num "ambiente de paz e tranquilidade internas".

"Acreditamos no espírito de boa-fé e de alto sentido de Estado" do Presidente da República, realçou hoje João Bernardo Vieira, porta-voz do partido, em conferência de imprensa, ladeado por dois históricos do partido: Manuel "Manecas" Santos e Carlos Correia, primeiro vice-presidente. "Penso que não haverá nenhum conflito institucional", acrescentou. As decisões surgem após vários meses de tensão política entre Domingos Simões Pereira e José Mário Vaz, com intervenções públicas de ambos a refletir divergências em diferentes temas. Ambos foram eleitos em 2014 pelo PAIGC, fizeram campanha eleitoral lado-a-lado, mas as aparentes dificuldades de coabitação levaram o partido a criar uma comissão de veteranos para os auscultar - assim como ao presidente do Parlamento, Cipriano Cassamá.

Essa comissão referiu na reunião que hoje terminou que o Presidente da República disse "estar na posse de dossiês que põem em causa a autoridade moral de alguns membros do Governo", sendo esse "o principal motivo de dificuldades". Questionado pelos jornalistas, João Bernardo Vieira não adiantou mais pormenores sobre quem estará em causa e quais os assuntos.

Por outro lado, durante a reunião do Comité Central, o primeiro-ministro e líder do partido, Domingos Simões Pereira, acusou o ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dirigente do partido, Baciro Djá, de comprometer "alguns objetivos de governação e o próprio relacionamento com outros titulares dos órgãos de soberania".
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Sem detalhar as razões de desentendimento, o porta-voz do PAIGC remeteu apenas para as deliberações: "encaminhar para o Conselho de Jurisdição todos os elementos referenciados pelo 3.º vice-presidente [Baciro Djá] relativos a apoios do exterior" e reabrir as contas da última campanha eleitoral, de 2014.
O porta-voz referiu que Baciro Djá era responsável pelo dossiê e nunca chegou a apresentar o relatório final das contas.

Contactada pela agência Lusa, fonte do gabinete do primeiro-ministro disse não haver nenhuma informação sobre se o diferendo o primeiro-ministro e o titular da presidência do Conselho de Ministros poderá levar a alguma alteração no elenco governativo.

O Comité Central do PAIGC decidiu ainda nomear Aly Hijazi como novo secretário-nacional, na sequência do pedido de demissão de Abel Gomes, aceite pelo presidente do partido, após reconhecidas divergências entre ambos - Abel Gomes saiu com uma moção de reconhecimento pelo trabalho realizado.

Foi ainda nomeado Manuel "Manecas" Santos como presidente da comissão organizadora da Convenção Nacional, com data indicativa de novembro deste ano.

LUSA